Anne Sexton, A Morte do Amor
Eu sou a assassina do amor,
assassino a música que julgávamos tão especial,
que resplandecia entre nós os dois, repetidamente.
Assassino-me, onde me ajoelhava diante do teu beijo.
Rasgo com facas as mãos
que criaram duas em apenas uma.
Mas neste acto as nossas mãos não sangram,
permanecem silenciosas na sua desonra.
Retiro os botes das nossas camas
e inundando-os, deixo-os tossir no meio do mar,
e que se engasguem e se afundem em direcção a nada.
Abafo-te a boca com as tuas
promessas e observo
a forma como as vomitas no meu rosto.
O Campo que dirigimos?
Eu gaseei os campistas.
.
Agora estou sozinha com os mortos,
saltando de pontes,
lançando-me, como uma lata de cerveja, para o lixo.
Voo como uma simples rosa vermelha,
deixando para trás um vento forte,
de solidão
e no entanto, não sinto nada,
apesar do meu voo e impulso
as minhas entranhas estão vazias
e o meu rosto é tão inexpressivo como uma parede.
.
Será que devo chamar o agente funerário?
Ele poderia colocar os nossos dois corpos num único caixão cor-de-rosa
aqueles corpos de antigamente,
e poderão enviar flores,
.
e poderão aparecer para nos velar
e apareceria na página de óbitos
e as pessoas saberiam que algo morreu,
já não existe, já não fala, nem sequer
guiará de novo um carro e tudo o resto.
.
Quando uma vida acaba,
aquele por quem tu vivias,
para onde vais?
.
Trabalharei à noite.
Dançarei na cidade.
Vestir-me-ei de vermelho para um incêndio.
Olharei para o Charles atentamente
adornado com as suas longas correntes de néon.
E os carros passarão.
Os carros passarão.
E a mulher de vestido vermelho
não gritará
dançando na sua própria Ellis Island
que se revolve em círculos,
dançando sozinha
enquanto os carros passam.
.
Tradução: sara a. costa
Revisão de tradução: Filomena Antunes
.
.
Killing the Love
.
I am the love killer,
I am murdering the music we thought so special,
that blazed between us, over and over.
I am murdering me, where I kneeled at your kiss.
I am pushing knives through the hands
that created two into one.
Our hands do not bleed at this,
they lie still in their dishonor.
I am taking the boats of our beds
and swamping them, letting them cough on the sea
and choke on it and go down into nothing.
I am stuffing your mouth with your
promises and watching
you vomit them out upon my face.
The Camp we directed?
I have gassed the campers.
.
Now I am alone with the dead,
flying off bridges,
hurling myself like a beer can into the wastebasket.
I am flying like a single red rose,
leaving a jet stream
of solitude
and yet I feel nothing,
though I fly and hurl,
my insides are empty
and my face is as blank as a wall.
.
Shall I call the funeral director?
He could put our two bodies into one pink casket,
those bodies from before,
and someone might send flowers,
and someone might come to mourn
and it would be in the obits,
and people would know that something died,
is no more, speaks no more, won’t even
drive a car again and all of that.
.
When a life is over,
the one you were living for,
where do you go?
.
I’ll work nights.
I’ll dance in the city.
I’ll wear red for a burning.
I’ll look at the Charles very carefully,
weraing its long legs of neon.
And the cars will go by.
The cars will go by.
And there’ll be no scream
from the lady in the red dress
dancing on her own Ellis Island,
who turns in circles,
dancing alone
as the cars go by.








